Me recuso a assistir os tele-jornais de horror, hoje.
Hoje vou evitar os Roda-moinhos movidos a sangue,
respingando dor na minha paz.
Pilhas de corpos mutilados entregues a domicílio, via satélite.
Baleados,
esfaqueados,
Degolados..
Equipes jornalísticas buscando a desgraça a qualquer custo,
Em qualquer canto.
E entregando rapidamente, quentinha..
Delivery.
Guerras dentre o tráfico de drogas,
feminicídios,
homicídios,
pedofilia e etc..
Monstros mundanos,
desumanos, maltratando a si próprios num mar de ignorância.
Cenas fortes! crimes chocantes!
Que entram por nossas portas todos os dias com imagem digital.
Transfixando nossos peitos, e atingindo nossos sonhos,
Com um bloco de pesadelos.
Imagens captadas por lentes de super câmeras
focadas principalmente no lado obscuro da sociedade.
Por isso excepcionalmente hoje, a carnificina televisiva não entrará aqui.
Deixarei o caos lá fora nas mãos de deus.
Não sou policial,
não sou o homem de ferro,
tampouco o pai celestial.
Então não posso salvar o mundo.
Apenas faço a minha parte,
procurando ser um cidadão descente.
E seguirei no meu caminho
(paralelo ao mundo dos jornais de horror).
Essa é a minha realidade.
O meu mundo, o teu mundo.
Boa noite.
(Ramon Paes)
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