Com muita dedicação, força de vontade, fé, trabalho, resistência... Consegui chegar nesse mero segundo degrau da minha existência.. Um degrau que da acesso a um andar com muitos cômodos singelos, porém prazerosos. Hoje sigo com um caminhar lento, digno, honesto e transparente.. Hoje consigo "ostentar" meus momentos em paz comigo mesmo. Achei - perante outras pistas divinas - um livro antigo, de um nobre homem chamado Chico Xavier; lá vi uma luz reluzente, perante uma porta aberta, com bilhetes recortados de um jornal misterioso sobre uma mesa velha, que somados valiam esperança. Nesse conjunto de tíquetes li as respostas para as minhas frequentes crises existenciais. Não foi tão simples. Engoli sapos, e esquivei de botes de jararacas, matei leões diariamente, só deus sabe qual foi o peso do meu par Adidas velho, calejando meus pés exaustos. Mas hoje tenho uma mera noção, de como devo caminhar.. Sei que tô longe da perfeição, porém também longe da podridão - onde infelizmente muitos tolos insistem em tropeçar (nas próprias pernas) -. A vida pode ser tranquila como uma leve nevasca lá fora, enquanto comemos fondue, e tomamos vinho tinto, na frente da lareira. Como pode ser um avalanche! O que você faz agora volta logo adiante, é o efeito bumerangue, o efeito borboleta. A vida é uma rua esburacada, a felicidade não tem receita, mas pode ser menos ruim. mantenho os olhos abertos e cuido onde vou pisar. Qual peça vou mover. O que falar, o que calar, o que pensar, onde pousar pra preservar o bem estar dentro de mim. Dentro de nós.
(Ramon Paes)